A crise, a Presença e a Graça

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A crise, a Presença e a Graça

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A crise, a Presença e a Graça

Quando a Personalidade é uma Personalidade Integrada existe sintonia entre todos os corpos: físico, emocional, mental e espiritual. A Personalidade sente então em si todo o Universo e tudo faz sentido. Não há crises. Não há separatividade. As coisas não são más nem boas, são apenas aquilo que são. Há apenas Vida. Tudo é a Vida a acontecer… sou o Sol e o micróbio, sou o cão e a pulga….
A Vida não pode ser representada por uma linha recta, e muito menos por uma linha recta permanentemente ascendente. Se pudéssemos representar a Vida numa linha, ela teria que ser ondulada.
A Personalidade Integrada, que transcende a dualidade, vive na eterna e constante Presença: desde o acordar e levantar uma pestana, ao espreguiçar-se, lavar-se, vestir-se, comer, andar, ler, ouvir música, cozinhar, relacionar-se com o mundo e com os outros, tudo passa pelo brilho da Presença permanente. O Ser é aquilo que É em cada instante em que existe. Vê a vida por um olhar global e abrangente, sem divisões e percebe o que está por detrás da dinâmica de cada acção; não julga, entende e compreende. Mesmo que não aceite, compreende e não se apega. Ninguém se pode apegar àquilo que apenas é. É a nossa condição dualista que nos faz ver o mundo como “bom” ou “mau”, a Personalidade Integrada sabe que as coisas são apenas o que são… nem boas, nem más.
Estar e Ser totalmente Presente é estar-se permeável e receptivo à Graça, essa Benção Divina que nos passa despercebida a maior parte do tempo, porque alienados. Viver nesse estado abençoado é o fruto da prática meditativa que nos ensina a ser Presença em cada momento da nossa existência. Isso é Meditação. Toda a nossa vida passa a ser Meditação: começamos por ser observadores de nós próprios e gradualmente a dualidade que caracteriza a nossa existência vai-se transformando na unidade integrada e consciente do observador (nós) e do objecto observado (nós).
Esse é o estado abençoado a que qualquer ser humano consciente pode ambicionar.
Cessam então as “crises”… e, sobretudo, o medo da crise não tem alguma razão de ser.
O medo, tal como todos os sentimentos negativos, são “entidades” criadas pela nossa mente dual e que servem apenas para aumentar “a energia de uma crise imaginada pela nossa mente indisciplinada”. Todos os “demónios” são tão reais como todas as espécies de pássaros e flores; apenas num plano diferente de existência de um universo relativo.
Disciplinar a mente é criar condições para ultrapassar essa relatividade e estar aberto e permeável a essa energia abençoada da Graça, a qual só pode ser sentida num Coração integrado e repleto de Gratidão.
Gratidão por tudo quanto existe.

Paula Soveral, Lisboa, outubro de 2008

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