AYURVEDA, a Antiga Medicina Indiana IV – A Massagem Abhyanga

O Arroz Integral
25 Setembro, 2007
A experiência da verdade
5 Janeiro, 2008

AYURVEDA, a Antiga Medicina Indiana IV – A Massagem Abhyanga

AYURVEDA, a Antiga Medicina Indiana
IV – A Massagem Abhyanga

Conforme prometido num boletim anterior, aqui vai uma explicação mais detalhada daquela que é a “mãe” de todas as massagens, inclusivé, da tradicional massagem chinesaTui Na. Trata-se da massagem Abhyanga que, recentemente no Ocidente, se tornou muito conhecida como “Massagem Ayurvédica“… Ora, ayurvédicas são todas as massagens, bem como todas as terapias utilizadas nesta antiga medicina natural (a mais antiga de todas), desde que cumpridos determinados requisitos que, na práctica actual corrente, infelizmente, nem sempre o são. Entende-se por “ayurvédico” toda a prática, comportamento, terapia, alimento, pensamento, sentimento, etc. que ajude o indivíduo a (re)encontrar o seu equilíbrio, de forma absolutamente natural.

Relembrando… existem cinco tipos de massagens terapêuticas Ayurvédicas:

  • Abhyanga (aplicação de óleo aquecido pelo corpo e tonificar a pele);
  • Sanvahana (deslizar sobre os canais de energia e sobre as cadeias musculares);
  • Mardana (pressão sobre os pontos de energia);
  • Garshana (drenagem e esfoliação com ervas em pó);
  • Udwartana (drenagem com óleo, sal e cânfora aplicado com luva de seda).

A massagem, seja ela qual for, é portanto apenas uma, entre muitas, das várias terapias naturais que esta medicina milenar utiliza. Apesar das respectivas particularidades, existem, em todas, cinco tipos de toque: deslizar, friccionar, comprimir, amassar e percussão. E para ser, de facto, verdadeiramente ayurvédica, é necessário que, a seguir à massagem, a pessoa faça uma sauna ou fique totalmente envolta em cobertores de modo a fazer bastante calor durante cerca de trinta minutos, pelo menos! Se assim não acontecer, não se fez uma massagem (terapia) ayurvédica!!!!

É precisamente esse calor que vai, por assim dizer, “acabar” o trabalho começado na massagem: abrir os poros para a total libertação de toxinas. Ainda, e cerca de uma a duas horas depois de ter recebido a massagem, a pessoa deve tomar um banho bem quente, sem sabão, para que essa limpeza seja mais eficaz, purificando e desintoxicando o organismo.

Também é comum ouvir chamar-se “massagem ayurvédica” a uma massagem que tem por base a técnica da Abhyanga e a que, recentemente tanto no Oriente como no Ocidente, alguns professores de Yoga resolveram juntar estiramentos e manipulações do Yoga. Essa é uma massagem interessante, normalmente feita no chão (o que dá um aspecto mais exótico), mas não é a massagem ayurvédica antiga e genuína, que é a Abhyanga. Esta, sim, é a primeira e mais antiga, como já referi, e desde sempre, há mais de 2.000 anos, é praticada nos hospitais ayurvédicos em marquesas e seguida sempre da sauna (de calor) para que a terapia seja, de facto, eficaz.

No caso específico da Abhyanga obtém-se relaxamento, drenagem linfática, tonificação muscular, nutrição dos tecidos, estimulação dos sistemas circulatório e linfático; equilibra os centros energéticos, reactivando a correcta circulação da energia, desbloqueando tensões, e finalmente, eliminando toxinas através do suor, urina e mucos. Consequentemente, a sua acção é rejuvenescedora, especialmente se for feita regularmente (pelo menos uma vez por semana).

Na Índia, é uma tradição massajar diariamente o corpo desde o primeiro dia do nascimento; as crianças são massajadas até aos três anos de idade. Após os três anos de idade a rotina muda e a massagem é feita, pelo menos, uma ou duas vezes por semana, até cerca dos 6 anos. A partir dos sete anos de idade, a criança é ensinada a massajar outras pessoas, recebendo massagem igualmente em troca. A massagem semanal é uma cena familiar e quotidiana.

Existem também massagens cerimoniais, feitas com óleos terapêuticos, ervas e outras substâncias, como a massagem antes do casamento, que fornece o brilho e a beleza ao jovem casal, a massagem à mulher depois do parto, feita diariamente durante, no mínimo, quarenta dias.

Antigamente, a vida era simples e mais próxima da Natureza. A época actual é de ganância e competição. A vida tornou-se árdua e árida. A velocidade vertiginosa que a vida actual atingiu é de tal forma anti-natura que causa um impacto desordenado no nosso sistema nervoso através de choques artificiais com que o mesmo é “bombardeado” constantemente: excesso de ruído, excesso de velocidade, excesso de correria, excesso de falta de repouso, excesso de alimentação deficiente, excesso de informação, enfim… excesso de…tudo!
Existe stress no sistema nervoso quase que em permanência. Para aliviar este stress e tensão, a massagem é essencial não só como um método natural para relaxar e revitalizar o organismo humano, como essencialmente uma forma de encontro consigo próprio (meditar é isso mesmo). A massagem, quando bem feita, no encontro sentido entre quem massaja e quem é massajado, é uma verdadeira Meditação.

A massagem é, simultaneamente, o mais natural e poderoso método de relaxamento e rejuvenescimento do corpo“.

No próximo boletim Vida Sã daremos continuidade a este artigo, expondo os “Benefícios e Precauções da Massagem”.

Paula Soveral
In Boletim Vida Sã, Dez. 2007

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *