Como Meditar

Como Meditar

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Existem muitas formas de meditação e todas são válidas. Por exemplo, só na tradição budista tibetana existem mais de 400 formas de meditação. Os cursos de introdução e algumas regras básicas servem apenas para orientar o principiante que, com o tempo, encontrará a fórmula que lhe for mais conveniente. Não devemos, portanto, ser rígidos mas sim manter uma abertura de espírito que é essencial para uma prática correcta. Na meditação tudo é possível – tenha abertura e curiosidade para investigar e gentileza para aceitar tudo o que acontecer, agradável ou desagradável.

Tomemos, como exemplo base, A Prática do Zen :

“A essência do zen é a prática da meditação certa: zazen . A pessoa senta-se numa almofada com as pernas cruzadas, as costas bem direitas, a nuca esticada e o queixo ligeiramente metido para dentro. A respiração é tranquila. O espírito, liberto de toda a contrariedade, está concentrado na expiração – longa e profunda – e sobre os pontos importantes da postura (coluna vertebral direita como uma flecha, nuca no alongamento da coluna, queixo ligeiramente para dentro, língua a tocar ao de leve o céu da boca, braços descontraídos e afastados do corpo, mãos sobre os joelhos, ombros ligeiramente puxados para trás, olhos e músculos do rosto descontraídos).”

Mas, para além desta postura que favorece a meditação, meditar pode ser: sentar-se sossegado num lugar do seu agrado, em casa ou no meio da natureza, deitar-se à sombra de uma árvore e deixar os pensamentos fluírem, dar um passeio a pé de forma lenta, progressiva e cadenciada….

Meditar acaba por ser o estado de espírito que se obtém quando se consegue concentrar a mente num ponto vazio ou num único pensamento simples como, por exemplo, a palavra PAZ, ou AMOR ou o mantra OM – todas estas palavras simples são mantras que favorecem a concentração.

Sobretudo, não tente reflectir, analisar ou compreender. Limite-se a sentir , deixando a sua intuição fluir . E seja gentil consigo mesmo.

Evite meditar deitado, corre o risco de adormecer.

Seja qual for o lugar escolhido, sente-se de forma confortável, com as costas direitas e o rosto ligeiramente descaído para baixo.

Coloque as mãos sobre os joelhos, viradas para cima ou para baixo, ou então cruze-as sob o umbigo (com as mãos em concha, a direita dentro da esquerda e os dois polegares tocando-se). Se meditar sozinho deve cruzar também os pés (o direito por cima do esquerdo) para concentrar a energia. Se meditar acompanhado ou em grupo, deve colocar os pés paralelos e bem assentes no chão, para que a energia flua.

Feche os olhos e faça alguns exercícios respiratórios para relaxar: inspire lenta e profundamente (pelo nariz), sinta o peito cheio de ar, retenha alguns segundos e expire lentamente pela boca. Faça esta respiração durante uns minutos. Também pode entoar o mantra OM 3 vezes.

Relaxe todo o seu corpo físico, sentindo-se seguro no sítio em que está sentado e ligado à terra. Verifique se existem tensões em alguma parte do seu corpo – tome o seu tempo, inspire profundamente levando essa inspiração ao local em tensão e liberte-a ao expirar lentamente pela boca.

Imagine um sol dourado e brilhante no centro do seu coração. Pouco a pouco, imagine que essa energia dourada e brilhante se expande preenchendo todas as células do seu corpo e que, continuando a expandir-se, o envolve exteriormente num campo de luz branca/dourada muito brilhante. Visualize essa luz brilhante durante alguns minutos e relaxe….

Relaxe o corpo físico…, relaxe o corpo emocional…, e relaxe o corpo mental…

Quando atingir um estado de serenidade, centre-se num dos mantras, ou centre-se no centro do seu Ser (Coração), observe os pensamentos passarem, sem se prender a nenhum deles e oiça o seu interior.

Pode também optar para se concentrar apenas na respiração. Conte 10 inspirações, depois 10 expirações, vá alternando, e sempre de forma lenta, calma e sem esforço. Quando se começa a praticar meditação, este exercício é muito útil e eficaz.

Para finalizar, antes de abrir os olhos entoe o mantra OM 3 vezes.

Mexa lentamente os pés e as mãos, comece a tomar conhecimento da realidade envolvente e abra os olhos quando lhe apetecer.

Tente manter o estado de espírito obtido durante o máximo de tempo possível.

Medite durante, pelo menos, 20 minutos. Os períodos do dia mais indicados para meditar são de manhã cedo (6h00/7h00), e ao fim da tarde. O que não significa que não possa fazer uma meditação sempre que lhe apeteça ou que sinta necessidade disso.

A meditação pode ser praticada por qualquer pessoa de qualquer idade, trazendo sempre resultados imediatos e benéficos. A mente fica calma e revigorada e a nossa força interior aumenta, bem como o sentido de segurança e amor por nós próprios. E lembre-se que a energia segue o pensamento

Resumindo , podemos dividir a prática da meditação em quatro etapas diferentes, tendo sempre presente que, sejam quais forem as regras ou os tipos de meditação, a meditação é sempre uma experiência única e individual.

Atenção : Libertar a mente das tendências exteriores e focar a atenção no interior. Olhar para dentro. Encontrar a posição adequada, manter a coluna bem direita, o olhar a 30º do chão, as mãos sobre as ancas ou joelhos. Respirar lenta e profundamente. Os olhos podem ficar fechados ou semi abertos.

Concentração : Encontrar um ponto de concentração: quadro, vela, som, oração, mantra. Quando as sensações, os pensamentos e as emoções aparecem, não se fixar neles, deixá-los chegar e partir e, gentilmente, trazer de novo à mente o ponto de concentração. O ponto de concentração pode ser mantido ou alterado.

Absorção : Praticar diariamente. De preferência, duas vezes por dia durante, pelo menos, vinte minutos, se possível. Ser regular na prática, pois assim ela vai-se aperfeiçoando. Ser perseverante. Com a continuação, começamos a sentir-nos abençoados, alegres e em paz. No entanto, a meditação não é sempre alegria ou paz: estar consciente de que todos os pensamentos, sentimentos e sensações, positivos ou negativos, podem aparecer. Não se preocupar, não os rejeitar nem ficar incomodado, tomar conhecimento e deixar ir…. ser uma testemunha dos pensamentos e sentimentos durante a meditação e em outras alturas. Não se agarrar a eles – você não é aquilo que sente nem aquilo que pensa!

União : Quem sou eu? Porque estou aqui? O que é real aparece revelado: conheça a verdade e a verdade libertá-lo-á quando os pensamentos e a respiração cessarem por eles próprios – nessa altura, a verdade aparecerá como um brilho, uma forte intuição. Ela sempre esteve lá, escondida pelo véu dos seus pensamentos, sentimentos, sensações, condicionamentos, conceitos, crenças e opiniões. O véu foi removido!

E, quando chegamos a este ponto de união, toda a nossa vida é meditação.