Artigo: O que é o Reiki?

Artigo: O que é o Reiki?

Desde há alguns anos que o Reiki tem conhecido um grande desenvolvimento no Ocidente. Muito se tem publicado acerca, sobretudo na Europa e nos EUA, mas, pelos vistos, a informação que há ainda é insuficiente.

Literalmente, Reiki significa Raio ou Força ( rei ) de Energia Universal de Vida ( ki ). Isto é o mesmo que dizer Energia Vital, Onda Celestial, Energia Cósmica – todos eles são termos para designar uma e a mesma coisa: a Energia Vital ( Ki, Chi, Prana, Luz ).

Essa essência divina existe dentro de cada um de nós, de tudo o que é vivo neste Planeta (seres humanos, animais, vegetais e minerais) e não só (o que está ainda para além do tão pouco que conhecemos?). Isto significa que todos somos canais energéticos e que, ao aprendermos a sintonizar-nos com a energia prânica (o que acontece na aprendizagem do primeiro Nível), estamos em condições de começar a passar essa energia de Vida a nós próprios e aos outros (incluindo plantas, animais, a nossa alimentação, o espaço que habitamos, o Planeta, etc.).

A independência do espírito

Definir o Reiki parece simples, mas talvez seja extremamente difícil pois a sua essência é indizível. Sem qualquer dúvida, podemos dizer que se trata de um método de cura natural que permite encontrar a harmonia connosco próprios, primeiro, e depois com tudo o que nos rodeia e que se caracteriza por uma enorme simplicidade e que muito pouca importância concede àquilo que tem a ver com o nosso Corpo Mental – corpo esse que “acha” que tudo controla!

As origens do Reiki perdem-se nas noites dos tempos – as “pistas” mais antigas encontram-se em mosteiros budistas muito antigos. No entanto, foi redescoberto em meados do século passado por um professor japonês de Teologia, Mikao Usui. Normalmente (e, na minha humilde opinião, assim deve continuar), a história da redescoberta do Reiki é passada oralmente, aquando do primeiro Nível.

Em Reiki não há dogmas, nem actos de fé, nem regras inflexíveis, rigorosas e absolutas – o Reikinão está ligado a qualquer ideologia ou crença religiosa! Uma vez activados os canais por onde circula a Energia (no final de uma série de cerimónias e rituais sagrados que são harmonizações), qualquer um de nós está em condições de tirar do Reiki aquilo que está disposto a receber .

Para alguns é um método de cura; para outros, uma das muitas formas de se preparar para um processo de expansão interior e acabar por aceitar as experiências da vida como lições de uma Realidade que está para além do que é palpável, visível no nosso quotidiano (a Realidade está muito para além daquilo que por nós é vivido no dia-a-dia – isso é mera Ilusão ); para outros ainda, o Reikitransforma-se numa profissão. Em todos estes casos, porém, ele é sempre um processo de expansão interior e de cura – seja qual for a forma, mais ou menos profissional, adoptada.

Usar e abusar

O Reiki não é nada disto e é tudo isto e muito mais. Ou seja, como toda e qualquer forma de energia, o que conta é o uso que queremos fazer dela: a electricidade e a energia nuclear não são, em si mesmas, nem boas nem más, tudo depende do uso que delas fazemos, podemos transformá-las em instrumentos de vida ou instrumentos de morte.

É aqui que reside exactamente a questão da sua eficácia – Reiki é Amor Incondicional e por isso nunca pode ser mal utilizado e fazer mal. O que pode é ser mais ou menos recebido. Depende, unicamente, da receptividade e disponibilidade interior de quem recebe.

Este Amor Incondicional nada tem a ver com as formas de amor a que estamos habituados e que, na maior parte dos casos, são manifestações do desejo – o Amor Incondicional é o “motor” do Universo, do qual somos parte integrante e integrada. O desejo é a manifestação da vontade resultante do nosso Corpo Emocional (ou Astral) e que, quando desarmonizado e, muitas vezes, por insegurança, deseja para poder controlar.

O Reiki atravessa, aquilo a que chamo já há algum tempo, a sua crise de adolescência – ou seja, ainda mal re-começou a ser re-descoberto e re-conhecido e, portanto, a ser re-utilizado, e já nos deparamos com inúmeras práticas correntes que nada têm a ver com Reiki ou que, na melhor das hipóteses, não passam senão de práticas visando o lucro comercial – não havendo o cuidado, atenção e respeito (respeito no sentido de reverência) necessários para com o Sagrado e a “utilização” do mesmo: todos somos seres divinos e, como tal, o respeito e a correcção devem estar na base de qualquer relação humana. Quando a nossa intenção é apenas o lucro comercial, a correcção desaparece para dar lugar, normalmente, à manipulação.

Multiplicidade de caminhos

Conforme foi dito, o Reiki utiliza rituais sagrados de activação energética (as harmonizações), bem como uma série de símbolos (que são passados a partir do segundo nível) que servem para canalizar, intensificar e orientar a energia.

A primeira reacção perante uma nova matéria, normalmente, é a desconfiança: não nos esqueçamos que, ao longo dos últimos 20 anos assistimos a uma proliferação, e frequentemente ao seu desaparecimento também, de técnicas e métodos mais ao menos ocultos, mais ou menos valiosos, correspondendo àquilo que se convencionou chamar as ciências ou medicinas alternativas. Por isso, o espírito humano tem necessidade de se questionar sobre a autenticidade deste simbolismo. Porém, colocando-nos num nível para além do mental, nível no qual o Reiki actua, este tipo de questões deixa de ter qualquer importância. Ao fim e ao cabo, a maior parte dos símbolos e ritos sagrados baseiam toda a sua força na sua repetição constante, ao longo dos tempos e na intenção com que são utilizados.

Em qualquer caso, o Reiki não é nem melhor nem pior do que qualquer outra técnica de harmonização: todos os “caminhos” são válidos; não há senão uma única Verdade e, no entanto, existem numerosas formas de alcançá-la, tantas quantos os diversos tipos de seres humanos; nenhum caminho ou via é privilegiado; é importante nunca nos esquecermos que o Reiki é um meioe não um fim – não devemos confundir o caminho com o destino; de outro modo, corremos o risco de nos perdermos num labirinto de formas mentais.

Harmonia do Ser

Reiki é uma técnica simples de passagem de energia por imposição das mãos. Assim, à medida que a pessoa se vai “entregando” ao Reiki, a energia vai progressivamente actuando de acordo com as necessidades de cada um, desbloqueando os nossos centros energéticos (Chakras), e harmonizando, portanto, o nosso Ser: corpo físico, corpo emocional, corpo mental e corpo causal. Todos estão interligados e, muitas vezes, existem doenças cujas causas estão “instaladas” num destes nossos corpos mais subtis que o corpo físico. E é precisamente por tudo estar interligado que, a meu ver, todas as doenças são psicossomáticas.

Onde há brecha psicológica, a doença instala-se. Temos que compreender e aceitar, com muita humildade, que para além das infinitas possibilidades que possuímos por seres divinos que somos, somos também limitados “dentro” deste corpo e que, portanto, todos temos coisas a curar. Não há terapeuta ou mestre Reiki que escape a esta verdade. Somos todos seres humanos, cada um com as suas dificuldades, com o seu caminho a percorrer e respectivas intempéries a ultrapassar.

O que é maravilhoso, de facto, com o Reiki é que, com a possibilidade de ajudarmos os outros a curarem-se, estamos também curando-nos a nós. E passamos a olhar para a humanidade com outros olhos: mesmo individuais e individualistas, compreendemos que não somos senão gotinhas de um imenso oceano e que todos estamos ligados, e que a alma de cada um de nós está também ligada a tudo, a todas as outras almas, formando aquilo que se chama alma mundi. Quando se atinge esse ponto, que normalmente é sem retorno, todo o mal, toda a violência, toda a guerra deixam de ter sentido – compreendemos profundamente que toda a acção, palavra, pensamento ou sentimento se repercutem, “batem” por assim dizer, no Todo, atingindo tudo e todos, nós e os outros, trazendo, mais cedo ou mais tarde as mesmas energias de volta. É por isso que o Reiki, quando assimilado devidamente, nos coloca em profunda e verdadeira comunhão com o universo porque nos permitiu a comunhão com o nosso interior. Passamos a ver vida em tudo, e quando se sente vida em tudo, sente-se alegria em estar vivo!

Uma questão de equilíbrio

O Reiki é um compromisso – quem está em Reiki, quem o pratica, elimina o conflito da sua vida. Aprende a estar e a deixar fluir, a aceitar e a amar. Isto não significa que devemos suportar tudo e todos – de modo algum. Uma das condições principais em Reiki (entre outras) é a de que não nos devemos forçar, violentar; ou seja, sempre que algo ou alguém nos incomoda ou nos é desagradável devemos afastar-nos, aceitando que isso é assim. Cada um tem o direito de ser como é, e cada um de nós tem o direito de se afastar de situações de conflito inevitáveis que podem pôr em risco o nosso equilíbrio e bem estar.

Se não estivermos bem não podemos ajudar ninguém. Uma coisa é sabermos que devemos aceitar os outros como eles são (mas aceitar não significa que devemos compartilhar tempo e espaço com eles, significa não criticar nem julgar), outra coisa é termos a obrigação de nos mantermos física e psicologicamente bem, de sabermos manter o equilíbrio e a harmonia em nós e no espaço que habitamos. Fazendo isto e sendo firmes estamos a contribuir para o equilíbrio geral da humanidade, exactamente porque não colaborámos nem alimentámos a energia de conflito. Toda a pequena mas positiva contribuição de cada um de nós, seres humanos, é fundamental para a cura e o equilíbrio do planeta.

Realidade Única

Tudo isto é particularmente precioso no nosso mundo ocidental que, desde há muito, se habituou a raciocinar de forma analítica, decompondo, seccionando e interpretando os diferentes elementos sem ter em conta a situação global de que são parte. A visão do Reiki é, pelo contrário, holística, global: não há senão uma só e única Realidade, mas há infindáveis e diferentes manifestações aparentes, no espaço e no tempo, dessa mesma Realidade, e todos, todos, somos parte integrante dela com as nossas próprias carências. O nosso corpo, a nossa consciência, o nosso espírito não são senão aspectos, facetas dessa Realidade, desse conjunto, um pouco como todos os pontinhos que formam a imagem de uma fotografia. Praticar Reiki significa aprender a ser um canal, a deixar a Realidade actuar. E quando atingimos este ponto, é porque desencadeámos em nós mesmos um processo importante de cura e de maturação.

Os maiores problemas que se deparam com o Reiki estão, geralmente, ligados à vontade de auto-afirmação do ego, à dificuldade de pôr um pouco de humildade naquilo que fazemos, renunciando a sentirmo-nos o centro do mundo. O Reiki é muito simples: funciona através do coração e não da mente; a única coisa que se exige é disponibilidade (para dar e receber).

Conceitos essenciais

1 . O nosso Ser é composto de vários corpos:

  • Corpo Físico (que todos vemos e sabemos o que é);
  • Corpo Físico Etérico (campo energético que cobre o Corpo Físico e sem o qual este não poderia existir);
  • Corpo Emocional (campo energético formado pelo conjunto das emoções);
  • Corpo Mental (campo energético formado pelo conjunto de ideias, pensamentos e todos os mecanismos mentais);
  • Corpo Causal (o que faz a ligação aos Planos Superiores).

2 . Estarmos em condições de ajudar os outros significa que, previa e anteriormente, devemos ter procurado iniciar o nosso próprio processo de auto-cura. É um processo constante e progressivo de desenvolvimento pessoal e de «aperfeiçoamento».

3 . Falar de Chakras é uma matéria muito vasta. Mas, numa breve explicação muito sintética, chakra, em sânscrito, significa roda. São vórtices de energia, por onde entra e sai a energia do nosso corpo. Que se saiba, temos milhares de chakras em todo o corpo, alguns muito pequenos. Estão alojados no nosso Corpo Físico Etérico.

Existem sete chakras principais, alojados ao longo da nossa coluna vertebral:

  • chakra raiz (base da coluna vertebral, ao nível do perineu, virado para baixo, para a terra)
  • chakra sagrado (abaixo do umbigo)
  • plexo solar (estômago)
  • chakra cardíaco (centro do peito)
  • chakra laríngeo (garganta, base do pescoço)
  • chakra frontal (ou terceiro olho – ao nível da testa, entre as sobrancelhas)
  • chakra coronário (no cimo do crânio, virado para cima, para o céu).
Na primeira pessoa

Deixem-me dizer-vos uma coisa que costumo afirmar a quem me pede explicações sobre o Reiki e me pergunta: “Quem é que me garante que, por mais saudável que eu esteja, a minha energia é a indicada, certa, adequada para passar ao outro?” Respondo: “Ninguém!” Isto remete-nos para outro dos problemas que começam a emergir: algumas pessoas, mesmo tendo aprendido aquando do primeiro nível, “esquecem-se” de se sintonizarem devidamente com a energia prânica e cometem o enorme erro de passar a sua energia. Se assim não fosse, não ouviríamos tanta gente queixar-se de que fica cansada no fim das terapias, que ficou “vazia”, que tem medo de apanhar doenças, etc., etc., etc.

Passo de imediato a informar (e eu só posso falar da minha própria experiência de trabalho em Reiki) que nunca me senti cansada no fim de uma terapia, nunca me senti vazia, antes pelo contrário, no fim de um tratamento sinto-me sempre, mas sempre, energizada – esta é a melhor prova de que a energia passou por mim – e, quanto ao medo de apanhar doenças, acredito que quando se trabalha com Amor estamos protegidos!

A eterna questão do dinheiro!

A energia não tem preço! Ela existe no Universo ao dispor de todos! O facto do Reiki ser a passagem de energia de Amor Incondicional não significa que o trabalho do terapeuta tenha que ser feito gratuitamente, a não ser que ele assim o entenda. Tudo tem um preço e toda a prestação de serviços deve ser remunerada – há estudos, leituras, seminários, tempo de aprendizagem para estarmos em condições de ajudar os outros. Tudo isso representa investimento (a todos os níveis), tempo e dinheiro gastos. O paciente paga o tempo do terapeuta e não a energia que recebe! No entanto, como em tudo na vida, deve haver bom senso. Não devemos cair no oportunismo, na exploração dos outros, mas sim tentar manter a lucidez necessária para perceber o preço exacto e adequado do nosso trabalho. Para tudo na vida, há sempre um meio termo, um compromisso equilibrado encontrado através daquilo que deverá ser justo – tal como a Deusa Diké, a deusa da Virtude, que nos indica que o caminho da virtude é exactamente o do meio. Assim, o terapeuta deve manter uma atitude inócua, imparcial porque, conscientemente, sabe que não é senão um canal, que não é (nem nunca deve ser) a sua energia que vai passar, mas sim, devidamente sintonizado, a energia vital universal.

Paula Soveral

Lisboa, Janeiro de 2000

Revisto e corrigido em Setembro de 2003