Ainda sobre a Paz

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Ainda sobre a Paz

Ainda sobre a Paz

Há anos que se fala de paz. Muito se tem dito acerca da paz. O homem, no seu percurso atribulado, passa a vida a pensar em paz e a suspirar por momentos de paz.

Mas faz a guerra… a todo o instante, dentro de si, com os que o rodeiam, com os outros países, com o mundo inteiro… e há muito tempo!

Recentemente, temos ouvido falar muito na Paz e estamos no ano 2000 que foi considerado ‘O Ano Internacional para a Cultura da Paz’.

Fala-se a propósito de Timor, de África, da América do Sul, das crianças que morrem à fome, das atrocidades enormes que se fazem… e o egoísmo continua.

Tudo isto está muito certo – falar, mostrar nos media o que se passa (será que mostram tudo? Mas eu nem sei se quero ver mais…), revoltarmo-nos e fazermos manifestações de solidariedade por este ou por aquele país em guerra. Acender velas, acho muito bem. Eu também as acendo todos os dias (e será que consigo ter paz todos os dias na minha vida, na minha casa?). Mas todos nos confrontamos, diariamente, com momentos de tensão, de conflito, de violência, nossos e dos outros. Mesmo que não queiramos, de vez em quando cai-nos um ‘pedregulho’ em cima… e catra-paz!!!, lá se vai a nossa pouca serenidade.

O que eu quero dizer é o seguinte: é que é muito louvável tudo o que fazemos em nos mostrarmos solidários com tudo o que se passa no mundo inteiro.

Mas…, e os nossos pequenos gestos de todos os dias? De que serve sermos solidários com Timor, etc., etc., etc., se, no dia a dia, saímos de casa mal dispostos e a refilar, damos um pontapé no gato da vizinha, dizemos mal dos colegas de trabalho, damos uma bofetada ao filho porque chegamos a casa mal dispostos e…, e…, e…,

Até o pequeno gesto de deitar a ‘beata’ do cigarro pela janela do carro, enquanto guiamos, polui o meio ambiente, o planeta… do mesmo modo, esses pequenos gestos que julgamos ‘nada’, porque nem nos damos conta deles e os desculpamos com o nosso cansaço e outras razões sempre muito razoáveis para nós, poluem fortemente toda a aura do planeta, anulando o grande gesto das manifestações solidárias… é assim, mesmo que não acreditem! É preciso auto-consciencializarmo-nos de que podemos contribuir profundamente para a PAZ com as pequenas coisas que fazemos. Um pequeno esforço constante, diário, estar atento a todos os gestos, pensamentos, palavras e sentimentos e tentar ir transformando tudo o que for negativo em positivo. Até se pode fazer disto um jogo, que se torna divertido e ao fim de pouco tempo é mecânico e damos connosco a sorrir porque demos ordens positivas ao nosso cérebro! É fantástico aquilo que podemos fazer com este “pequeno enorme computador” que temos em cima do nosso corpo!

E afinal existe a centelha de vida, divina, em cada ser vivo (humano ou não)… já reparou?

Obrigada pelo seu esforço, eu também vou beneficiar com isso.

Paula Soveral
Lisboa, Março de 2000

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