A experiência da verdade

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A experiência da verdade

A experiência da verdade

À PROCURA DA PALAVRA

P. Vítor Gonçalves

DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM   Ano A

Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.
Fl 2, 5

Do dizer ao fazer vai um caminho que nem sempre é rápido ou directo. Basta confrontarmo-nos com os dois irmãos de que Jesus fala no evangelho para reconhecermos que somos um pouco de cada um. Que dizemos e não fazemos, mas também somos capazes de reconsiderar e mudar as atitudes. E isto recorda-me a aparente sede “de verdade” que gera um programa televisivo em que, para vir a ganhar uma quantia fabulosa de dinheiro, expõem uns o que é mais sórdido dos seus pensamentos e vivências, e outros se deleitam com o que é mais alvitante! É verdade que podemos ter pensamentos horrorosos? Sim, mas graças a Deus, e a tantas outras dimensões pelas quais nos podemos chamar humanos, não os realizamos. É verdade que fizémos coisas mal feitas? Sim, mas não temos sempre a possibilidade de mudar?

Maravilha-me o modo como Jesus confronta cada pessoa com a verdade. O passado não é esquecido mas o presente e o futuro são mais importantes. O que aconteceu não tem de aprisionar o que pode acontecer. Por isso Ele abre infinitas possibilidades de vida nova. Diante da auto-suficiência e especialização para condenar a que a religião judaica tinha chegado, Jesus contrapõe a possibilidade de mudança, a porta sempre aberta da vida. E pergunto-me: somos mais daqueles que abrem portas ou também temos medo das correntes de ar? Quem vivia (e vive) a fé como uma realidade formatada, uma lista de coisas a cumprir, num receio constante de falhar, como pode experimentar alegria e encanto no caminho que faz com Jesus? Porque há a verdade de quem acredita e cumpre “porque está dito” ou valoriza constantemente a aparência, mas também a verdade de quem tem dúvidas e ama (ainda que imperfeitamente, e, à custa disso, experimentando derrotas). A verdade sem amor é um corpo sem alma!

No fundo, a verdade não é um facto, ou uma situação. Pode ser a explicação lógica de um processo mas, no fim, creio que ela é uma pessoa. Por isso Jesus se calou à pergunta de Pilatos. A verdade é Deus. E o seu amor por nós. E a beleza que colocou em tudo. Assim, a experiência da verdade é um caminho de escolhas em que, por causa de um amor maior, descobrimos novas possibilidades de ser felizes. Nunca é tarde para sermos o terceiro filho que não aparece na parábola de hoje: o que diz “sim” e vai mesmo trabalhar na vinha! E enquanto o não somos não será possível viver em mais alegria e simplicidade, mais confiança e esperança com os “sentimentos que havia em Cristo Jesus”?

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