O Arroz Integral

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O Arroz Integral

O Arroz Integral

Introdução:

Os cereais integrais são consumidos pelo ser humano há cerca de dez mil anos, constituindo desde sempre a base da sua alimentação.

A palavra cereal vem do termo latino cerealis, inspirado em Ceres, deusa romana da agricultura e das colheitas. Simbolicamente, o cereal é comparado ao homem, flexível e erecto e porque, a história da evolução do homem e do cereal se confundem, influenciando-se recíprocamente na sua evolução biológica.

Origem:

O arroz integral, alimento base na Ásia, foi primeiramente cultivado na Índia (+/- 10.000 anos); há cerca de 5.000 anos o seu uso expandiu-se para a China, depois para o resto do continente asiático e, mais tarde, para o resto do mundo. Tal como acontecia com outros cereais, o arroz era venerado como uma divindade, sendo objecto de rituais ricos em cânticos, tanto religiosos como sociais e espirituais, como é o caso ainda hoje em dia praticado no Johrei (culto espiritual e energético japonês).

Composição:

A maioria dos cereais integrais são ricos em hidratos de carbono complexos, proteínas, alguma gordura de boa qualidade, vitaminas (nomeadamente as do complexo B contidas no germe) e sais minerais.

Na composição do arroz integral, encontramos muitos nutrientes, tais como: prótidos (cerca de 8%); hidratos de carbono (cerca de 72%); vitaminas (A) lipossolúveis e do complexo B; sais minerais (cálcio, fósforo, sódio, potássio, magnésio, enxofre, cloro, manganés, ferro, cobre, zinco, arsénico, iodo, flúor e silício) – o silício, por exemplo, facilita a fixação do cálcio, do fósforo e do magnésio; oligoelementos; fibras. É o único cereal a conter um aminoácido fundamental, a Lisina (1), que é importante na inibição do herpes, no desenvolvimento da massa muscular, no fortalecimento da fertilidade, na melhoria da concentração e ainda essencial para o crescimento, reparação dos tecidos, produção de anticorpos, hormonas e enzimas.

Propriedades nutritivas e terapêuticas:

Para além das inúmeras propriedades nutritivas, é indicado nas seguintes funções terapêuticas: hipertensão, problemas respiratórios, sistema nervoso, problemas  gastrointestinais, contraria a formação de cálculos renais e a psoríase, insuficiência cardíaca e outras doenças do coração.  É adstringente, regulariza a função intestinal, rico em fosfato, é bom para o cérebro, pulmões, olhos, pele e cabelo, desenvolvimento intelectual e espiritual.

Tem igualmente uma acção desintoxicante, devido ao facto de não conter glúten, e é por isso indicado em regimes depurativos e de emagrecimento. Por este mesmo factor, é inadequado à panificação.

É de salientar aqui a famosa dieta dos dez dias de arroz, preconizada por George Oshawa: o corpo humano renova o plasma sanguíneo em cada dez dias e num período de tempo relativamente curto toda a estrutura celular. É possível, portanto, em dez dias, mudar a direcção da nossa própria vida: em vez de nos deslocarmos da saúde para a doença, podemos inverter a rota e caminhar da doença para a saúde. Em dez dias, restabelece-se uma corrente sanguínea sadia, encontra-se o bem estar e sentimo-nos renovados. No entanto, esta dieta não deve ser feita sem o conselho de um técnico de saúde devidamente credenciado.

Devemos utilizar o arroz de agricultura biológica pois, de contrário, é muito sobrecarregado com produtos químicos.

As crianças devem consumir arroz interal desde tenra idade, os jovens devem consumi-lo pois, para além de todas as razões apresentadas, o consumo de arroz integral vai incrementar e melhorar a concentração para a prática estudantil e os adultos e idosos devem consumi-lo para manter um nível equilibrado de saúde, nutrição e energia.

Culinária:

Pode ser cozinhado simples, de preferência em panela de pressão, ou com leguminosas, vegetais e algas. Deve ser demolhado cerca de 4 a 5 horas (alguns autores indicam mesmo 12 horas) antes de ser cozinhado, o que o torna mais macio, mais saboroso e de mais fácil absorção; igualmente para melhor absorção dos oligoelementos (pelo desdobramento do ácido fítico), sobretudo no que respeita o zinco.

Existem inúmeras receitas de arroz integral, todas elas deliciosas. Fica particularmente delicioso e “estaladiço” polvilhado com gomásio (caseiro), acompanhado com sementes ligeiramente tostadas, oleaginosas, alga Nori tostada, pickles (caseiros), gengibre, umeboshi, ou….. o que a nossa imaginação quiser!

Pode ainda ser consumido a qualquer uma das refeições: pequeno almoço, almoço e jantar. Especialmente se temos um dia de trabalho árduo pela frente, nada melhor do que começar o dia com uma boa sopa de Miso regada com gengibre, por exemplo, e um bom prato de arroz integral, o que nos dará um bom indíce de energia para o dia todo sem termos que recorrer a outros alimentos perniciosos.

Conclusão:

E, para concluir, uma pequena curiosidade:

 

Num pequeno folheto que encontrei há tempos da autoria da Associação Macrobiótica de Porto Alegre (Brasil), datado de 1966, pode ler-se o seguinte:

As sete etapas de julgamento e o arroz

1. Baseados em nosso nível de julgamento mais primário, que é cego ou mecânico, comemos arroz porque temos fome. Temos apetite e o arroz é mais fácil de obter.

2. Segundo o nosso julgamento sensorial, somos levados a escolher o arroz porque gostamos do seu paladar.

3. No terceiro nível de julgamento humano, osentimental, ao considerar que uma grande proporção da população do mundo (aproximadamente a metade) usa o arroz como seu principal alimento, decidimos, sentimentalmente, que aquilo que é suficientemente bom para tanta gente também o é para nós.

4. Já o nosso julgamento intelectual permite-nos ser influenciados pelos seguintes padrões:
a) O homem é uma síntese de todos os estágios de materialização que o precederam (vide a Espiral Logarítmica, no Livro de Julgamentos, de George Oshawa) mas, mais especificamente, ele é produto da clorofila – do reino vegetal. O arroz, entre todas as coisas do mundo vegetal, é o alimento mais completo, dentro do ponto-de-vista da nutrição.
b) A taxa potassa-sódio do grão de arroz escuro, integral, aproxima-se muito daquela das células do corpo (5/1), constituindo, assim, o material básico para a renovação do corpo.
c) O metabolismo do corpo depende, em grande parte, da glicose para o seu principal funcionamento. Os carbohidratos, contidos no arroz integral, transformam-se em glicose muito rapidamente. Por isto, o corpo tem a sua função facilitada ao suprir, a si mesmo, a matéria prima que necessita para o processo perpétuo, de recriação, que se realiza dentro dele.
d) Podemos viver somente de arroz integral, sem perigo de beri-beri ou escorbuto. Por meio de um processo de transmutação bioquímica, o corpo humano pode tirar do arroz integral, um pouco de sal e chá, todas as vitaminas e minerais que necessita para uma existência sadia.
e) As sete camadas do arroz integral
O raciocínio que nos leva a preferir o arroz integral ao arroz branco é o seguinte: no seu estado original, um grão de arroz consiste de sete camadas, incluindo (1) uma casca de celulose externa. Como esta é difícil de digerir, nos descartamos dela. A camada seguinte (2) consiste de uma delicada película protectora, de um décimo de milímetro, que tem a capacidade de resistir a uma substância de tão alto poder reativo como a fluorina. A seguir, (3) existe um fino invólucro que contém proteínas; depois, (4) uma membrana gordurosa e mais outra camada (5) contendo vitamina e sais minerais. As duas últimas camadas (6 e 7) – as centrais – consistem inteiramente de carbohidrato, e constituem aquilo que chamamos arroz branco. Esta parte central é uma fonte incompleta de alimento. Por esta razão, sempre nos referimos ao grão escuro de arroz integral como o nosso alimento principal.

5. O nosso julgamento sócio-económico nos leva à seguinte conclusão: Aproximadamente, seis a oito mil libras de arroz podem nascer num acre de terra (4.046,84 m2). Uma pessoa pode viver confortavelmente, em qualquer lugar, com duzentas a quatrocentas libras de arroz por ano. Vinte a trinta pessoas, portanto, podem viver muito bem da produção de UM acre de terra plantado de arroz. Como contraste, só uma vaca necessita de dez a quinze acres de pastagem anualmente, para dar trezentas a quatrocentas libras de carne. Como o indivíduo médio, que consome carne, necessita ao menos, de duzentas e cinquenta libras por ano (uma estimativa não exagerada) é bastante evidente que o uso da carne como alimento principal não é recomendável economicamente. Fomenta a escassez de terra, uma vez que não existe campo suficiente para alimentar todo um mundo de carnívoros. O que disto pode resultar é conflito, conforme a história o comprova. Muitas guerras, no passado, foram deflagradas por aquela necessidade primária dos comedores de carne de possuir campos para nutrir o gado, parecendo-nos que aquilo que o futuro nos promete não é muito alentador também.
Bertrand Russel comentou que “a guerra futura é inevitável”, por causa da escassez de alimentos. É perfeitamente comprensível que, se as terras devotadas à alimentação do gado fossem convertidas ao cultivo do arroz, a escassez dos alimentos, que tem sido fonte de guerras mundiais, poderia ser uma coisa do passado.

6. Baseados no nível de julgamento ideológico, parece-nos que seria recomendável comer de acordo com um princípio que, sendo de milhares de anos, já teve tempo suficiente para ser experimentado por milhões de pessoas e que já provou ser capaz de curar a doença e promover a saúde de uma enorme parte da população do mundo. Acresce que sabemos que os grãos (particularmente o arroz) têm sido usados através dos séculos como sendo a base da dieta de homens cujo único objectivo era o de ser capazes de pensar e entender dentro do mais elevado nível. Como o nosso objectivo é o mesmo, é natural que nos voltemos para o arroz.

7. O indivíduo, cujo julgamento é feito dentro do mais elevado dos níveis, pode comer qualquer coisa que desejar. Como a sua vida e a própria ordem, ele só aprecia a nutrição que é simples e ordenada. A comida mais simples e mais completamente de acordo com a Ordem do Universo é o arroz escuro, integral.

É por todas estas razões que o arroz integral é o nosso alimento principal.

Paula Soveral
25 de Setembro de 2007

NOTAS:
(1) A maior parte dos livros consultados sobre aminoácidos referem como fontes da Lisina todas as proteínas, com destaque para as seguintes: carne, peixe, leite, queijo, ovos, levedura, feijão branco, nenhuma se referindo ao arroz integral, à excepção do livro “Compêndio de Ciências do Homem, da Alimentação e Nutrição Humana”, vol 2, p. 60, da autoria do Naturólogo, Dr. Manuel Melo.

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