A visão de Shambhala e o mundo

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A visão de Shambhala e o mundo

A visão de Shambhala e o mundo

“A actual situação mundial é uma fonte de inquietação para todos: ameaça de guerra nuclear, pobreza e instabilidade económica generalizadas, caos político e social, perturbações psicológicas de todas as espécies. O mundo está num estado de agitação total. Os ensinamentos de Shambhala fundam-se na premissa de que existe realmente uma sabedoria humana fundamental que pode ajudar-nos a resolver os problemas do mundo. Esta sabedoria não é apanágio de uma cultura ou de uma religião, tal como não é exclusividade do Ocidente ou do Oriente. Trata-se antes de uma tradição humana da arte do guerreiro, que existiu em numerosas culturas e em muitos períodos da história.

Por arte do guerreiro não entendemos o facto de fazer guerra aos outros. A agressão é a fonte dos nossos problemas, não a sua solução. Aqui, a palavra “guerreiro” traduz o tibetano pawo, que significa literalmente “valente”. A arte do guerreiro, neste contexto, é a tradição da valentia humana, a tradição da coragem. Os Índios da América do Norte possuíam uma tal tradição e ela existiu também nas sociedades indígenas da América do Sul. O ideal japonês do samurai representava igualmente uma tradição guerreira de sabedoria e as sociedades cristãs do ocidente conheceram também princípios da arte do guerreiro esclarecido. O rei Artur é um exemplo lendário de guerreiro na tradição ocidental e os grandes soberanos da Bíblia, como o rei David, são também exemplos de guerreiros da tradição judeo-cristã. (…)”

“O segredo da arte do guerreiro – e o próprio princípio da visão de Shambhala – é não ter medo de quem se é. Eis em última análise a definição de valentia: não ter medo de si. A visão Shambhala ensina-nos que perante os graves problemas do mundo nós podemos ser simultaneamente heróicos e benevolentes. Esta visão é o contrário do egoísmo. Quando temos medo de nós próprios e o mundo nos parece ameaçador, tornamo-nos extremamente egoístas. Esforçamo-nos então por construir o nosso pequeno ninho bem próprio, o nosso próprio casulo, a fim de aí vivermos sós e em segurança.
Para dizer a verdade, podemos ser muito mais valentes do que isso.
Devemos projectar o nosso pensamento mais longe, além da nossa casa, além do fogo que arde na chaminé, além da preocupação de enviar os nossos filhos à escola ou de irmos para o trabalho de manhã. Devemos tentar ver como podemos ajudar o mundo; se não trouxermos a nossa ajuda, ninguém o fará. É a nossa vez de ajudar o mundo. Todavia, ajudar os outros não significa que seja preciso renunciar à sua vida pessoal. Para ajudar as pessoas, não há necessidade de se precipitar para ser o Presidente da Câmara ou dos Estados Unidos; basta começar pela sua família, pelos seus amigos, pelo seu meio social. De facto, podemos começar por nós próprios. O importante é apercebermo-nos de que estamos constantemente ao serviço, de que não podemos nunca apenas relaxarmo-nos, pois o mundo inteiro necessita de ajuda.”

Chogyam Trungpa, Shambhala, A Via Sagrada do Guerreiro; in Cadernos de Shambhala, nº 1, Nov. 2002

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